terça-feira, 20 de janeiro de 2009

CAROS ALUNOS DE FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO:
O TEMA DAS NOSSAS PRÓXIMAS AULAS SERÃO
1º A EDUCAÇÃO ENTRE A MODERNIDADE E A PÓS MODERNIDADE
2º ÉTICA,MORAL E VALORES DA EDUCAÇÃO
3º A EDUCAÇÃO E O SAGRADO NUM CONTEXTO DE SECULARIZAÇÃO.
ALÉM DAS NOSSAS LEITURAS DA APOSTILA. PEÇO PARA QUE TODOS ADIANTEM AS LEITURAS.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

O estudo da gramática não faz poetas. O estudo da harmonia não faz compositores. O estudo da psicologia não faz pessoas equilibradas. O estudo das "ciências da educação" não faz educadores. Educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem. O que se pode fazer é ajudá-los a nascer. Para isso eu falo e escrevo: para que eles tenham coragem de nascer. Quero educar os educadores. E isso me dá grande prazer porque não existe coisa mais importante que educar. Pela educação o indivíduo se torna mais apto para viver: aprende a pensar e a resolver os problemas práticos da vida. Pela educação ele se torna mais sensível e mais rico interiormente, o que faz dele uma pessoa mais bonita, mais feliz e mais capaz de conviver com os outros. A maioria dos problemas da sociedade se resolveria se os indivíduos tivessem aprendido a pensar. Por não saber pensar tomamos as decisões políticas que não deveríamos tomar. Se você desejar saber com detalhes o que penso sobre a educação, leia os livros que se encontram na sala Biblioteca.
Nas minhas conversas com educadores meus temas favoritos são: A alegria de ensinar, A educação dos sentidos, O prazer de ler, A arte de pensar, O educador como sedutor, O educador como feiticeiro, O educador como artista, O educador como cozinheiro, As leis do pensar criativo, Anatomia do pensamento: informação, razão, inteligência, conhecimento, alegria, Aprendendo a desaprender, Entre a ciência e sabedoria: o dilema da educação, Educação e política, Educação e Vida, Aprendizagem e prazer.
Leia o artigo Como amar uma criança sobre o educador Janusz Korczak, que se tornou um símbolo pelo seu amor às crianças. Diretor de um orfanato em Varsóvia, foi morto pelos nazistas com suas crianças numa câmara de gás. Tradução de Manoel Moraes.

sexta-feira, 30 de março de 2007

ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latinawww.adital.com.br

12.03.07 - EL SALVADOR
Vaticano condena teólogo da libertaçãoAdital - O arcebispo de San Salvador, Fernando Sáenz Lacalle, confirmou que a Congregação apra a Doutrina da Fé notificou Sobrino sobre a proibição de que ministre aulas em qualquer centro católico "até que revise suas conclusões".
Sáenz Lacalle disse que o Vaticano "há algum tempo estuda os escrito de Sobrino e que há muitos anos faz advertências a ele".
Explicou que "o que diz a Santa Sé é que as conclusões dos estudos teológicos sobre Cristo que o padre Sobrino publicou não estão de acordo com a doutrina da Igreja e que ele não poderá ensinar teologia em nenhum centro católico até que revise suas conclusões".
Por sua parte, Sobrino se negou, no momento, a fazer comentários à imprensa sobre a medida do Vaticano, que, segundo outras fontes eclesiásticas, será divulgada na próxima quinta-feira.
Quem é Jon Sobrino
Nascido em Bilbao (Espanha) em 27 de dezembro de 1938, Jon Sobrino reside em El Salvador há cinqüenta anos, dedicado, em grande parte, ao trabalho docente na UCA e a escrever numerosas obras, principalmente sobre a Teología da Libertação.
Foi um dos criadores da Universidad Centroamericana de San Salvador e um dos maiores propagadores da Teologia da Libertação, sobre a qual escreveu uma dezena de livros. Heresia O órgão eclesiásticvo que elaborou a condenação - era dirigido pelo cardeal Ratzinger e a partir da indicação dele como Papa Bento Dezesseis, em abril de 2005, pelo cardeal Joseph Levada - acusa Sobrino de «falsear a figura de Jesus», e mais concretamente de «não afirmar abertamente sua consciência divina»; quer dizer, a Congregação para a Doutrina da Fé - sucessora da Inquisição - afirma que o jesuíta el jesuita vasco-salvadorenh caiu na «velha heresia» de acentuar demasiado o lado humano da figura de Jesus de Nazaré e de «ocultar sua divinidade». Por isso, o Vaticano aprovou um texto no qual decidiu que ele está proibido, como uma forma de «penitência», dar aulas em centros eclesiais ou publicar livros com o «nihil obstat» da autoridade eclesiástica, com a intenção depois de condená-lo ao «silêncio mais absoluto». Ao que parece, tanto a Companhia de Jesus - à qual pertence Sobrino - como o próprio teólogo conheciam a notícia de antemão, já que, seguindo o procedimento habitual nestes caos, o Vaticano pediu previamente a Sobrino que retificasse seu comportamento por escrito. Entretanto, depois de pensar sobre o assunto e até de consutar o diretor geral da Companhia de Jesus, Sobrino se negou fazer tal retificação. Teologia da Libertação Toda essa confusão criou uma grande comoção tanto na Companhia de Jesus como no restante da classe eclesiástica, porque Jon Sobrino hoje é um dos máximos expoentes da doutrina conhecida com Teología da Libertação, um movimento de caráter religioso, político e social surgido na época do Concílio do Vaticano de 1962-1965 e que, afinal, não é mais do que um movimiento em favor dos pobres e marginalizados e que propõe a justiça social. A Teologia da Libertação se desenvolveu rapidamente por toda a América Latina, apesar de a hierarquia da Igreja Católica ter se oposto a ela desde o primeiro momento.

quinta-feira, 29 de março de 2007

bem vindos educadores vivos

SUJEITOS DA PRÁXIS PEDAGÓGICA

Observa-se que existe uma compreensão cultural na sociedade de que ser educador significa construir processos de ensino-aprendizagem a partir de uma profunda interação com o educando. Por isso, costuma-se dizer que onde há educador existe um educando e onde há um educando existe um educador. No entanto, educadores e educandos são aqueles que aprendem e ensinam mutuamente. Eles são os sujeitos da práxis pedagógica. Como sujeitos parecem definir também os seus conceitos e significados. Daí a importância de se refletir sobre os sujeitos da prática educativa escolar numa sociedade onde o sistema se coloca numa posição superior aos atores sociais desse processo de práxis pedagógica.

Educadores e educandos ocupam, sem dúvida, posições diferenciadas nesta reflexão o que não permite dizer que não exista uma inter-relação dialética entre os sujeitos. Talvez a primeira inter-relação entre os sujeitos em discussão seja o fato de ambos serem, antes de tudo, seres humanos. O ser humano constrói uma relação na medida em que adquire o seu modo de ser, de viver e de sobreviver. O ser humano é ativo em determinadas relações sociais e históricas que produz o próprio modo de ser do ser humano. Neste sentido, Marx já afirmava no século XIX que o ponto forte do ser humano é o trabalho realizado em condições históricas especificas e determinadas. Este trabalho constrói como aliena o ser humano.

Com isso dá-se à natureza do ser humano compreender e descobrir o seu modo de agir no mundo, pois o ser age sobre o meio ambiente, natural e social, reflete e adquire um novo entendimento sobre as coisas, produz uma ou várias ações, complexas ou não, por meio do trabalho que é uma fonte de humanização do ser humano desumanizado. Portanto, o ser humano diferencia-se do animal na sua forma de viver e de utilizar a natureza. Mas, essa diferença se dá a partir de sua própria ação, exceto na relação com o macaco. F. Engels intitulava no século XIX sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem, pois são parecidos e afirma que o trabalho é que criou o homem. Daí a denominação básica da diferença entre ambos.

A alienação surge do produto do próprio trabalho e da própria ação do ser humano que trabalha. O trabalho produz o necessário para a sobrevivência do ser humano e na sociedade capitalista o trabalho também assume a condição de estimular a acumulação para gerar mais riqueza. O trabalho que aliena contem dentro de si a possibilidade de autoconstrução do ser humano. Assim, pode-se dizer que o trabalho constrói e/ou aliena o ser humano. Dessa forma, o ser humano manifesta-se na intenção de modificar o meio ambiente para suprir suas necessidades que poderá construí-lo ou aliená-lo. Seria interessante recorrer ao velho Marx sobre a questão do trabalho como construtivo e como alucinante do ser humano, para que possamos ter uma melhor compreensão e reflexão filosófica sobre o capitalismo, a economia e as ideologias que permeiam estas representações.

O educador e o educando são seres individuais e sociais, constituídos na trama contraditória crítica e alienativa que interage o processo educativo. Eles são os sujeitos da história que se constroem ao lado dos outros seres humanos e, também, são objetos da história que sofrem a sua influência. Em termo educativo o educador é um ser sempre visto como o responsável e aquele que dá direção ao ensino e o que participa do processo de formação/transformação do educando. O educador aprende na formação de novos sujeitos ativos da história. Neste sentido, educador e educando se relacionam realizando juntos, em comunhão, o processo educativo.

Há uma reflexão importante sobre o educador e seu papel humano enquanto construtor de si mesmo que acontece por meio da ação. Trata-se de entender o educador como criador e criatura ao mesmo tempo. O educador sofre as influencias do meio em que vive e se relaciona, é condicionador e condicionado por meio do exercício da docência. O educador como ser humano se diferencia substancialmente de um pássaro como a águia, mesmo sabendo que deva ensinar seus educandos a se tornarem águias. Assim, na práxis pedagógica o educador tende a adquirir um nível de cultura que dá a direção ao ensino e à aprendizagem, pois toma o papel de mediador entre a cultura acumulada em processo de construção permanente da humanidade. O educando, por sua vez, sofre a influencia do educador que constrói determinadas representações simbólicas em seu educando e o enriquece de saberes acumulados da sociedade, inserindo-o num universo até então desconhecido. O educador, que constrói no educando saberes coletivos da sociedade e transforma o seu ser individual, exerce o papel de um dos mediadores sociais entre a sociedade e o educando. Dessa forma, observa-se que o educador não é o mesmo professor que conhecemos, pois o professor tem um papel e o educador tem outro. O educador se diferencia do professor porque precisa ir além para que possa desenvolver seu papel. Neste caminho, o educador deve possuir algumas qualidades de compreensão da realidade e do meio em que se envolve. Trata-se realmente de um comprometimento político e de uma competência profissional para transformar a realidade na qual vive. Caso não haja uma compreensão da realidade, o educador não consegue desempenhar seu papel na práxis pedagógica e acabará caindo na tentação sistemática de vivenciar suas experiências docentes pautadas numa lógica de reprodução.

O educador não poderá ser ingênuo em relação a realidade que vive e trabalha. Uma vez que o educador deva ter essa compreensão da realidade e ter um comportamento ético com a sociedade em que vive com a plena clareza de sua ação, planejada, deverá trabalhar sempre na perspectiva da execução de seus ideais porque educador sem ideal não é educador. Não existe educador sem ideal e sem opções. O educador precisa conhecer bem o campo cientifico no qual atua, com a necessidade da competência para desempenhar, com efeito, a atividade que trabalha. Uma vez que se ensina geografia ele tem que conhecer bem esta ciência, assim como outras tantas ciências, a saber: matemática, história, português, sociologia etc. O educador também deve possuir habilidades e recursos de ensino para possibilitar a aprendizagem dos educandos. Para ser educador é preciso desejar ensinar, ter paixão na atividade, estar em sintonia afetiva com o que faz, pois ensinar não simplesmente ir para uma sala entre quatro paredes e despejar uma quantidade de conteúdos e não usar uma metodologia técnica especifica para o conteúdo apresentado. Neste sentido, o educador precisa deter recursos e técnicas que facilitem os procedimentos de ensino.

Para ser educador não basta ter contrato numa escola ou emprego de funcionário público. O educador tem que ter compromisso político, uma competência técnica e, principalmente paixão pelo que faz. Um professor que trabalha sem comprometimento somente por causa do salário, sem estrutura, sem competência, atrapalha a aprendizagem dos educandos e o próprio funcionamento da entidade escolar, além de transformar os educandos e educandas em novas vítimas sociais. O educador, assim como o educando, possui uma determinação compreensiva da realidade na qual vivem. Por meio da ação, ambos se tornam sujeitos ativos que se constroem ou se alienam no processo. Nesta relação dentro da práxis pedagógica, o educador é o sujeito que busca nova determinação critica da cultura, novos conhecimentos e habilidades, novos modos de agir, sempre a serviço do outro sujeito, a saber, os educandos.

Dentro dessa perspectiva, o educando é como massa a ser informada como sujeito de direitos, capaz de construir-se desenvolvendo seus sentidos de inteligências. O educando é um sujeito que necessita da mediação do educador para reformular sua cultura, abrangir novos conhecimentos e desenvolver habilidades. Assim, o educando é um sujeito que possui capacidades que necessita da mediação da cultura que o possibilitará fazer a ruptura com o seu estado espontâneo. A não apropriação da cultura elaborada faz com que os sujeitos humanos permaneçam carentes de consciência. Dessa maneira, seja no trabalho ou na escola, o educador deve sempre estar atento ao fato de que o educando é um sujeito, assim como ele, com capacidades de crescimento, de aprendizagem, condutas e inteligências, criatividade e julgamento. A preocupação dos educadores deve estar pautada na formação de sujeitos, na formação de seres humanos que são os educandos. Quando negamos isto ao educando o tornamos em um ser alienígena, um ser perfeitamente manipulável pelas classes dominantes.

Como ninguém é obrigado a aceitar a idéia do outro, continuo com a idéia de que educadores e educandos são antes de tudo, seres humanos em processo de humanização constante. Com isso, precisa-se reconhecer e compreender que o educando necessita ser tratado adequadamente a partir de seus condicionantes econômicos, culturais, afetivos, políticos e religiosos. Com tais princípios respeitados, educador e educando caminharão juntos, em comunhão, onde um criará as condições necessárias para que o outro se desenvolva sistemática e permanentemente. Com certeza, precisamos repensar a vida discente de uma forma critica neste mundo globalizado e tecnológico e repreender as atividades docentes para que ousem novamente sonhar com um mundo diferente. Dessa forma, educadores e educandos estarão realmente construindo satisfatoriamente o processo de ensino-aprendizagem que os torna sujeitos da práxis pedagógica.

Claudemiro Godoy do Nascimento
Filósofo e Teólogo. Mestre em Educação pela Unicamp. Doutorando em Educação pela UnB. Professor da Universidade Estadual de Goiás – UEG.
E-mail: claugnas@terra.com.br